As Cantoras do Rádio
20/03
às 11:14

Palavras entre tiro, porrada e bomba!!!!!!

Facebook Coerência Feminina

Não me traga flores se não é capaz de respeitar minhas cores.

Não me traga bombons se vai ficar controlando meu peso.
Não me coloque coroas na cabeça se fala mal do meu cabelo, do meu decote, do ser que eu sou.
Não me parabenize por um dia de rememorar a morte de muitas companheiras trancafiadas numa fábrica, quando lutavam para e pelos meus direitos, se não compreender a real necessidade de discutir as relações de gênero.
Não me escreva poesias, nem apele para minha sensibilidade se não vai me incluir enquanto feminino na linguagem.
Não me trate como divindade, mas também não vem com aquele papo besta de Alistamento Militar.
Não me sujeite.
Não me abane.
Eu quero igualdade.
Não busco riquezas, não me chame de Maria objetos, pois eu não preciso deles.
Eu quero a liberdade , não pode as minhas asas e com elas irei voar.
Não subestime a minha capacidade, não me trate como menos que você.
Divida o trabalho doméstico comigo, invés de esperar na sala que eu traga a sua janta.
Aceite que eu mereço receber o mesmo salário que você.
Não reafirme os estereótipos, não espere que eu seja princesa e não me julgue se eu quiser transar com você num primeiro encontro.
Não me obrigue a transar com você se eu não quiser.
Não me violente.
Deixe que eu seja dona de meu corpo e escolha o que for melhor para mim. Não me criminalize por eu ter feito aborto.

Meu corpo foi feito para parir, eu aguento, eu posso. Eu me fortaleço.
Eu cresço e apareço, eu me fortaleço parindo normal, de forma humanizada, sem invasões, sem cortes, sem cesariana!

Não me dê nada!
Deixe que eu busque de igual para igual,
Não, pera...Mas como fazer isso se me encontro em situação de subalternidade?
Deixe-me empoderar, falar, lutar. Deixe-me colocar minhas pautas.
Não me cale!
Deixe que eu mesma me represente.
Não seja meu tutor (a), patrão (ao) e nem dono (a).
Mas me veja mulher- borboleta saindo do casulo.

Entenda quando eu falar que quero a libertação do machismo, eu não estou sendo misândrica, mas lutando por igualdade de direitos.
As nossas diferenças não me inferiorizam.
Aprenda que não sou inimiga das outras mulheres. Isso nos foi ensinado. Mas nós iremos transgredir e buscar sororidade.
Sou flor de carne e osso. Força que rompe entranhas. Determinação para hastear bandeiras de liberdade e luta.
Megafone de milhares e milhões que nunca viveram suas vidas.
Eu me faço mulher quando luto por mim, por você, por uma humanidade mais justa.
Eu sou o tipo de mulher que não aceita tipificações.
Eu não caibo em teu quadrado.
Eu não sou o que escolheram pra mim.
Eu me construo na luta, aqui e agora.
Meu dia é todo dia.
Meus fardos são pesados, minhas dores são de parto.
Eu não vou me esconder, calar, ceder.
Me deixe ir e vir, aproveitar da cidade, sem medo de sair a noite e ser atacada.
Não me diga piadas chulas, não me peça pra que eu me dê o respeito, pois ele é meu por direito.
E o que eu quero nesta luta é poder contar com
você.

Por Ana Paula Duarte
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